Dupla jornada de trabalho da mulher: até quando?

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As desigualdades entre homens e mulheres, no mundo todo, vêm sendo questionadas há séculos. Muitas conquistas já foram alcançadas, como o direito ao voto e a abertura no mercado de trabalho.

No entanto, injustiças permanecem, sendo muitas delas relativas justamente à questão de divisão de funções e valorização do trabalho. A desigualdade de salários ainda é muito presente: no Brasil, as mulheres ainda recebem menos que os homens.

Outro exemplo claro dessa situação é a questão da dupla jornada de trabalho. Os prejuízos para as mulheres são inúmeros, sendo motivadores de diversos problemas pessoais e profissionais. Vamos abordar esse tema tão relevante, aqui, na tentativa de pensar formas de solucioná-lo!

Seguiremos explicando sua definição e a importância de questionar essas injustiças. A luta das mulheres é uma questão que envolve todos os atores da sociedade que estejam interessados em promover uma vida mais justa e igualitária para todas as pessoas.

O que significa dupla jornada de trabalho?

Esse é um termo importante na produção científica sobre o tema, que denomina a recorrente situação de mulheres que devem atuar tanto em uma ocupação formal quanto no trabalho de cuidado da casa. Essa expressão aponta para a desigualdade em torno das funções e para a desvalorização do trabalho doméstico.

Para além da observação no cotidiano, é possível identificar essa diferença através de pesquisas sobre o tema.

Imaginemos um casal hipotético, um homem e uma mulher que moram juntos, onde ambos têm ocupações formais fora da residência. Provavelmente, o cuidado do lar ficará mais por conta da mulher do que do homem. Ainda que o companheiro “ajude em casa” — expressão que, por si só, já denota a diferença entre as atribuições de cada um —, a balança tende a pesar mais para o lado feminino.

Isso ocorre em razão de uma variedade de fatores, sendo algo problemático também por sua banalização, pois vivemos em uma sociedade sexista, que delimita os lugares a partir do gênero, ignorando as individualidades. É o que transforma esse tipo de cenário em algo supostamente natural e aceitável.

Ainda que os danos sejam mais violentos para as mulheres, os homens também acabam sofrendo com isso, por não terem autonomia e cuidado com seu próprio espaço. Para além disso, muitas vezes, acabam criando relações distantes com os filhos, já que o cuidado do lar se torna uma “função da mulher” e existe uma obrigação de o homem prover e ter de se dedicar ao máximo ao emprego e à carreira.

Outro ponto a ser destacado é que essa distinção não se dá apenas no âmbito do casamento. Você poderá encontrar situações análogas em qualquer tipo de família ou agrupamento. Normalmente, as funções do cuidado da casa são de responsabilidade das mulheres — irmãs, avós, amigas etc.

Como a maternidade se relaciona com essa questão?

Voltemos ao nosso casal hipotético. Caso eles venham a ter um filho, o cuidado da criança provavelmente ficará centrado na mulher, trazendo-lhe novas ocupações e configurando o que poderia ser chamado não só de dupla, mas de tripla jornada de trabalho, pois se somaria às obrigações no lar e no emprego externo.

É óbvio que existe uma relação de intimidade entre a maioria das mães e as crianças, e é importante que a mãe participe ativamente da educação de seu filho. O ponto, aqui, é que isso não se torna uma obrigatoriedade para os homens da mesma forma. Um exemplo disso é a facilidade com que inúmeros pais não participam da educação dos filhos. 

Outra questão, nesse sentido, é a forma como socialmente são tratadas as mulheres que preferem não ter filhos. Em muitos lugares, elas são tachadas como equivocadas ou pessoas que ainda não descobriram sua “verdadeira vocação”. 

Os sentidos que cercam a maternidade também devem ser examinados com cuidado. Existe um certo romantismo em torno desse tema, que acaba por ignorar os prejuízos provocados em tantas mulheres, por conta da obrigatoriedade de serem mães.

Homens têm a mesma capacidade que mulheres para educar crianças, porém, a diferença é que ensinamos apenas às meninas que esse é seu lugar no mundo: de cuidar da casa e dos filhos, enquanto cabe ao homem dar o principal sustento. 

Quais são as consequências para as mulheres?

Os efeitos dessa desigualdade são os mais diversos para a saúde feminina, sendo alguns deles imperceptíveis a princípio. Em vista da sobrecarga de trabalho, é possível que essa situação impeça a mulher de avançar em sua carreira profissional.

Por não ser considerado um trabalho de verdade, a lida doméstica não é valorizada, tornando o esforço quase nulo. Logo, é invisível também por só ser notado quando não é feito, como uma pilha de louças sujas, por exemplo. Quando isso ocorre, é possível que haja reações negativas do outro lado, tornando essa uma questão de conflito para muitos casais.

No caso da maternidade, essa cobrança excessiva pode ter consequências igualmente danosas. Muitas mulheres passam por fenômenos como a depressão pós-parto justamente por não se julgarem capazes o suficiente de serem mães boas.

Você já deve ter ouvido falar da Síndrome de Burnout. É um fenômeno acarretado pela carga excessiva de trabalho de um indivíduo. Seu nome se dá pela associação a uma chama que se apaga após brilhar intensamente, tal qual um fósforo, indicando o desgaste de quem se vê em uma situação como essa.

Muitas famílias procuram esquivar-se desse tipo de problema ao contratar ou simplesmente pagar uma empregada que execute os serviços domésticos. Nessa situação, outra pessoa será escolhida para assumir as funções ditas femininas.

Ironicamente, para que uma mulher tenha a liberdade de viver suas escolhas, outra deve assumir seu lugar nessas tarefas. Além disso, por a lida do lar ser um trabalho normalmente subvalorizado, a trabalhadora responsável por ele pode sofrer com violências simbólicas e estresse, devido ao cansaço.

Como romper com esse ciclo?

Um norte a ser seguido é a busca pelo diálogo constante entre os membros do casal. É necessário que haja uma negociação constante dos acordos que balizam essa relação. As atribuições em comum devem ser repensadas de acordo com as contingências e as possibilidades de cada parte.

Ambos devem entender que não existem obrigações predeterminadas por conta do gênero. Isso ajuda, inclusive, que o casal tenha mais flexibilidade para lidar com os empecilhos do dia a dia. Os homens são bem menos preparados para lidar com as obrigações do lar que as mulheres, ou, então, imaginam que esse papel é mais adequado a elas.

É um tipo de noção que aprendemos desde pequenos e que acaba por se cristalizar em nossa mentalidade. Isso não quer dizer que as pessoas sejam estanques no tempo, pois todos somos sujeitos a mudanças e novas formas de aprendizado.

Alguém poderia dizer: “mas isso é uma coisa do passado, hoje vivemos diferente”. É claro que obtivemos avanços, porém, existem muitas desigualdades e violências que são perpetuadas unicamente pela questão do gênero. É só observar os dados de várias pesquisas que transportam para os números uma realidade vivida por muitas pessoas.

A desigualdade de gênero é uma questão importantíssima de ser debatida em qualquer meio. É um tema que deve ser trabalhado nas escolas, pelos pais com os filhos e também nas políticas governamentais. Tudo isso deve ser feito no sentido de criar uma sociedade mais igualitária para as próximas gerações.

Esse é um tema relevante para a cultura como um todo. Prova disso é que os países que conseguem manter um balanço maior nos direitos entre homens e mulheres acabam por ter um desenvolvimento maior enquanto sociedade.

Como você pôde ver, a necessidade de debater sobre a dupla jornada de trabalho da mulher é muito grande! Participe da conversa comentando no post e deixe também o seu ponto de vista!

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