Porque é tão difícil focar?

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Nos dias de hoje conseguir manter o foco se tornou algo raro; cobiçado. Muito conteúdo vem sendo criado para discutir e entender nosso comportamento e desafios na nova era – a era da sobrecarga de informação. Somos uma geração com muitos recursos, mas com capacidade de foco cada vez menor. O homem moderno assumiu um estilo de vida super estimulado, sempre em busca de distrações e novidades. Rodeados de aparelhos que disparam dezenas de novidades por segundo, cresce nossa dependência por novidades e estímulos, que por conseguinte dificultam o foco.

O ser humano é por natureza um animal curioso. Ao longo de nosso processo evolutivo a habilidade de perceber as mudanças no ambiente e alterar nossas estratégias foi um componente fundamental para a sobrevivência. Durante milênios focar não foi algo essencial, pelo contrário, focar poderia trazer riscos à sobrevivência. O foco é o super estímulo de algumas áreas do cérebro, enquanto outras ficam quase desligadas. Isso traria um risco direto à vida, uma vez que um animal perigoso poderia se aproximar e atacar; foco não foi um fator decisivo ao longo de nossa evolução. Se houvesse uma mudança no tempo, na escassez de alimento ou de outros fatores, o sapiens buscava soluções. Dessa forma nosso cérebro se desenvolveu com apetite para o novo, estamos sempre curiosos e abertos, tanto é que a descoberta do novo libera uma onda de sensações, inundando-nos de dopamina.

Qualquer distração nos chama atenção: um barulho por perto, um brilho, um movimento. Você pode estar concentrado em algo, mas se ouvir seu nome é quase impossível ignorar. O autor de “Foco”, Daniel Goleman, chama isso de isca emocional. A forte tendência que o ser humano tem para o novo, define seu comportamento e isso tem implicações diretas com sua capacidade de manter foco.

Focar é algo tão complicado que mesmo pessoas com facilidade não conseguem manter a atenção por mais de 40 a 50 minutos em uma única tarefa. Algumas pesquisas apontam que podemos tirar melhor proveito do nosso tempo trabalhando em blocos de 40 a 50 minutos, descansando nos intervalos. Essa pausa dá condição de reorganizar as demandas diminuindo o estresse cognitivo.

Sobrecarregado pela informação e pelas demandas do dia a dia, o homem moderno assume novos compromissos o tempo todo. Esse nível de comprometimento afeta nossa saúde, uma vez que naturalmente não temos facilidade para memorizar, organizar e executar tantas demandas de uma vez. O resultado é uma geração com muitas ideias na cabeça, muitos assuntos mal resolvidos e que constantemente esquece e abandona projetos. O resultado são as crises de ansiedade e em casos mais avançados transtornos psicológicos graves. A diminuição da capacidade de foco tem vários fatores, como: não ter metas e objetivos claros, trabalhar em ambientes barulhentos e agitados, alternar entre tarefas complicadas, não se planejar e definir prioridades, falar sim para tudo e assumir muitas responsabilidades.

A sobrecarga de informação é sem dúvida o maior desafio do nosso tempo. Em “A mente organizada”, Daniel Levitin discute que sofremos com o excesso de informação, uma vez que o cérebro tem um limite de processamento e o volume de informação cresce a cada dia, não conseguimos assimilar tudo, ficamos perdidos e estressados. Não damos conta de absorver muito conteúdo de uma só vez, a área executiva do cérebro que é responsável por administrar nosso foco, tem capacidade limitada, alguns estudos apontam que o limite é de 5 tarefas simultâneas. Além disso, não é qualquer tarefa simultânea que o cérebro consegue realizar, sabemos muito bem a combinação perigosa que é usar celular e dirigir, são atividades que exigem muito de nosso cérebro, e que não permitem atenção dividida. Daniel Levitin traz duas grandes estratégias para lidar com as decisões difíceis e com a sobrecarga de informação. O primeiro é evitar sobrecarregar a mente guardando tudo nela. Sempre que alguma coisa a ser resolvida aparece em nossa mente, devemos anotá-la.

Isso pode ser feito no celular com aplicativos de notas ou até mesmo no bom e velho papel. Quando colocamos isso pra fora, criamos âncoras para retomar aquele assunto, nesse momento aliviamos a pressão sobre a memória, o que aumenta nossa capacidade de foco. Se não há um sistema de organização, as coisas ficam no ar, sempre a mercê da sorte e da memória. Isso provoca aquele sentimento de estar perdido e fora de controle, o que mina a produtividade e cria péssimos resultados. Um bom livro para organizar as demandas e colocar em prática esses conceitos é “A arte de fazer acontecer”, de David Allen, famoso criador do método Getting Things Done (GTD).

A segunda estratégia é sempre dividir as tarefas em tarefas menores e mais simples. Segundo Daniel Levitin nós procrastinamos porque não temos clareza do porquê fazer, do como fazer e de quando fazer. É por isso que a quebra das tarefas pode ser uma ótima estratégia. Tarefas menores para resolver são mais objetivas, o senso de realização aumenta pois estaremos vencendo etapas, e no final conseguiremos resolver grandes problemas.

A sobrecarga de informação exige priorização. Precisamos refletir e nos conhecer mais, entender nossas habilidades, ter metas e objetivos mais claros. Somente com essas questões alinhadas é possível criar algo grande e consistente. No livro “Foco” ,o autor Daniel Goleman discute sobre a importância de olhar para dentro, nos conhecer, perceber nossas forças e fraquezas para trabalhar de forma estratégica. O foco vai ficar difuso várias vezes por dia, não é possível se isolar do mundo externo ou interno, algo sempre vai provocar a mente e desviar nossa atenção. A autoconsciência é a capacidade de perceber nossa própria falta de atenção e se ajustar. Daniel Goleman chama esse processo de metacognição: habilidade de pensar sobre pensar. Você está em uma tarefa importante, quando de repente pensa que precisa pagar a conta do cartão de crédito urgentemente, mas em cima desse pensamento você percebe que não deveria pensar nisso naquele momento e sim focar na sua atividade. Logo, você volta para sua atividade e retoma o foco. Esse intercalar de pensamentos é um importante ingrediente para manter foco e fortalecer o músculo da atenção. A meditação, por exemplo, tem como principal objetivo esse exercício, toda vez que a mente divaga, trazemos ela ao objeto de foco, essa prática consistente aumenta o nível de concentração e rapidez na associação e dissociação, componentes fundamentais para administrar o foco.

O foco é uma competência cognitiva muito requisitada nos dias de hoje. Essa exigência é um reflexo direto de nossos novos hábitos. Estamos sempre distraídos, olhando para nossos celulares sem ter certeza para o que dar atenção. Contudo, grandes resultados e habilidades só vem com a prática consistente e diária. E para isso acontecer é necessário a clareza nos objetivos; capacidade de se manter motivado e alinhado com suas metas; ter foco para dizer não as distrações e continuar em sua busca. Todas essas competências vem com o tempo, com a busca pelo conhecimento, no confronto de suas próprias ideias e no ajuste diário. A lição que esses autores nos deixam é que buscar melhorar, ajustar nossa execução, agir e refletir, é um ótimo caminho para alcançar nossos sonhos.

Algumas ideias:

Criar blocos de tempo de 50 minutos e descansar nos intervalos. Nesse tempo de foco evitar celular, e-mail ou abas do navegador abertas. A ideia é manter o foco intenso em uma única atividade.

Manter uma lista do que tem para fazer. Pode ser algo básico como post-its ou um aplicativo de tarefas no celular. A ideia é colocar as demandas para fora e livrar a mente.

Escrever algumas vezes por mês. Coloque suas ideias e sentimentos para fora. Essa prática alivia a mente e organiza os pensamentos nos mantendo saudáveis e produtivos.

Refletir sobre nossas metas e objetivos. Encare a busca por sentido na vida de forma séria. Encontrar-se e ter pelo que lutar é um ingrediente decisivo para a saúde e sucesso no longo prazo.

Meditar ou praticar outros exercícios de atenção plena potencializa o cérebro e fortalece nossa capacidade de manter foco.

Fonte: administradores.com.br

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